Quem Somos Nós

Apenas alguém que brinca de ser poeta. Site onde publico: http://www.recantodasletras.com.br/escrivaninha/
Num barzinho em frente, um casal de enamorados trocam beijos compartilhando um mp3, alheios a tudo e a todos. Com certeza estão ouvindo a música que embala seus sonhos e fantasias. A música tem este poder! Ela nos faz flutuar, viajar, traz recordações, marcam e eternizam datas e momentos.
A música sempre me fascinou. Minha mãe conta que eu quando tinha uns cinco anos, já era fascinado por música, e em particular por "Banho de Lua". Toda manhã essa música tocava no mesmo horário, assim eu acordava cedo, e para ligar o rádio, como era pequeno, abria e subia na gaveta de um móvel para alcançá-lo. Ficava ali parado, enfeitiçado pela melodia.
Desde então a música me acompanha. Costumava sair com meu pai para comprar os discos de Roberto Carlos. Meu pai também gostava de ouvir bem alto as músicas de Nat king Cole, temas de filmes e os sambas de Miltinho. Passei minha adolescência ouvindo essas músicas e as dos Beatles( que amo), de quem uma amiga era fã.
Penso que todo mundo têm suas músicas preferidas, aquelas que marcaram um acontecimento especial, mesmo não sendo uma pessoa muito romântica. Eu tenho algumas que sempre me trazem doces recordações e que acariciam e beijam a minha alma. Se existe algo divino na terra, com certeza a música é preenche esse lugar. Bem, vou ficando por aqui, quero mesmo é voltar para rede e ouvir minhas músicas prediletas.
Texto: Roberto Passos do Amaral Pereira
Imagem: google
Nesta vida há quem duvide, mas não sou de entrar em brigas, mas quando entro ralo até a barriga. Não tenho medo de dores e feridas. Sei que estou mais para uma brisa,ou no máximo para um vento sul que não assusta. Sou mesmo bom de lutar por amor; para buscar uma flor para os olhos da amada; ou atenuar as dores de meus pequenos pacientes.
Consciência eu tenho, mas às vezes atrapalha. É preciso ser um pouco inconseqüente para viver o presente com mais intensidade. Um pouco de loucura é sempre muito bom.
Paciência tenho, porém não o suficiente, pois tem gente que abusa. Há dias que falo muito, mas normalmente sou mais de ouvir. Sorrir, eu gosto, mas pouco coisa hoje em dia me faz mostrar os dentes. Carente, penso que não sou, mas sou louco pelo colo de minha mãe.
Se deseja me agradar, é simples: um livro enche o meus olhos. Amo a textura e o cheiro de cada página. Quando leio saio do lugar, viajo além - mar, sou cavalheiro errante, sou um pássaro a voar.
Tenho uma amiga que diz que eu tenho alma feminina. Pode até ser. Eu não entendo de carro,não consigo diferenciá-los. Não gosto de futebol e não gosto de falar de conquistas amorosas ou coisas parecidas. Pensando por esses ângulos, acho que ela pode ter razão.
Machão, tento não ser, mas às vezes escorrego. Força e fruto de criação, mas procuro ficar atento. O momento pede outra postura.
É preciso ser firme, mas com doçura, ser forte, mas com equilíbrio. Também sei que é preciso não ter medo de chorar. Há muita candura e coragem no olhar de quem mostra seus sentimentos.
Às vezes me acho criança. Nada mal para um cinqüentão. Afinal, tudo fica mais simples e sem preconceitos na visão de um menino.
Também sei que é preciso muita poesia para humanizar a vida.
Texto: Roberto Passos do Amaral Pereira
Imagem: arquivo pessoal
Mais um dia de sol. Acordo pela manhã com uma preguiça no corpo, um sorriso na alma. Antes de levantar da cama sou surpreendido por um beijo amigo do meu filho, impulsionado por sua saudade sentida no seu tempo imaginário.
O cheiro de café fresco impregna o ambiente. Na mesa, o pão quentinho é saboreado com calma e carinho, fazendo o meu desjejum. O jornal chega pelas mãos do porteiro, anunciando a manchete do dia.
Bem, estou pronto para mais uma caminhada matinal. Na rua, revejo os companheiros que, como eu, procuram manter o vigor físico, os corpos em forma, tentando o que parece impossível: frear os desgaste do tempo. Após uma hora, estou com o corpo suado, cansado, porém, com um enorme bem-estar .No banho a água caindo delicadamente no meu corpo traz a lembrança das carícias da mulher amada, dos momentos de êxtase, em que toda a sua feminilidade desabrochou ao meu toque.
Doutor! Doutor! Tem uma criança para atender!
Pô! O sonho acabou! O Sacerdócio me chama. Viva a pediatria!
texto: Roberto Passos do Amaral Pereira
Imagem : google
Tarde nublada. Uma voz sussurra saudades na calada na minha alma,um lago profundo, nem sempre sereno que se faz pequeno diante dos mistérios da vida.
O tempo passa manso e preguiçoso e pede socorro à poesia. Sem avisar, meu olhar de desejo busca o beijo roubado;os livros compartilhados, os sonhos adormecidos, escondidos no canto da alma, nem sempre pequena, mas antenada e cheia de vontade de fazer seu destino. Deixo o sentimento chegar, e como o mar, me banhar. Anoiteço sob a luz da lua.
Texto: Roberto Passos do Amaral Pereira.
Imagem: google
Numa folha em branco coloco meus sentimentos, registro meus momentos de alegrias e dores. Numa toalha branca enxugo as minhas lágrimas, folhas caídas da árvore da vida.
`As vezes me pego com os olhos marejados, repousados na despedida da poesia. Afastado de minhas atividades, bate uma saudade do corre- corre da labuta;dos colegas e amigos de profissão; da gostosa luta em busca do pão nosso de cada dia. Meu tempo agora é de repouso, medicação e reflexão. É preciso aceitar que a vida segue seu rumo, e que todos ao meu redor precisam, e devem continuar buscando seus sonhos e desejos. É necessário encarar o medo, e não fugir do reflexo do espelho.
Meu braço direito, enfraquecido e atrofiado pelo destino, tenta imobilizar este homem de alma de menino. Em alguns momentos, o sorriso me foge por entre os dentes, feito semente que não encontra um solo fértil; uma tristeza e uma angústia toma conta do meu peito. Tudo isso é um processo natural que precisa ser vivenciado com muita intensidade, pois sempre propicia um crescimento pessoal.
Durante essas "crises" saio pelas ruas do meu bairro, de bermuda e sandália de dedo, a passear com minha cadela da raça Shit- tzu. Sem pressa e sem destino, sigo o caminho da emoção: Flores amarelas de ipê na calçada, com cheiro de cor, formando um tapete no chão; crianças brincando nas praças; um bem- te - vi num galho de árvore; o olhar de sabedoria de um idoso; o sorriso de uma criança lambuzada de sorvete; um verde jardim exalando beleza; uma flor desabrochando na janela; uma mulher esperando um barco a vela; o canto de um quero- quero; a sonoridade de uma concha e o mar que não tem tamanho.
No silêncio, na crença que nele a fala é mais intensa e verdadeira, caminho a passos mansos, feito anjo passeando pelas nuvens em dívida com a lua, essa deliciosa criatura que desliza afago quando abre os braços e nos acolhe com ternura. Mas ainda é dia, e o sol chega sorrateiramente, acariciando com seus raios de afeto a minha pele. Rege uma doce sinfonia de calor e magia. Aqueço a alma e me sinto no ventre materno, no belo aconchego do líquido do amor sem fronteiras.
Neste instante, vem a certeza de que ainda há esperança para quem conserva a criança dentro do coração; para quem traz nas mãos o sorriso desprovido de malícia; e para quem vive com simplicidade o menino travesso, avesso ao medo de ser feliz.
Texto:Roberto Passos do Amaral Pereira
Imagem: google
Mais uma vez estou na Curva da Jurema, localizada na parte leste da cidade - entre a Praça dos Desejos e a Ilha do Boi - com uma bela vista das ilhas do Boi e do Frade. Cito “mais uma vez” porque este é um lugar onde, decididamente, jamais arriscarei contar por quantas vezes aqui fiquei e ainda ficarei, por razões que meu inconsciente desconhece em todas as suas facetas, já que a beleza e o “clima” do local são insuperáveis.
À beira-mar avisto algumas varas de pescar com seus solitários pescadores, homens que ganharam a sorte de viverem entre a terra e o mar.
Pessoas caminham na areia da praia, em ritmos distintos, buscando, quem sabe, manter seus corpos em forma e suas mentes relaxadas. É visível o seu envolvimento com o lugar.
Quero-queros voam e cantam numa sinfonia digna de orquestra, deixando no ar a sensação de que o mundo reside aqui – e nada mais será descoberto com tamanha leveza.
Uma turma de aposentados faz seu "escritório" debaixo de um dos coqueiros. Diariamente marcam ponto no local, deliciando-se com conversas regadas à muita cerveja. Sem dúvida, um trabalho!
É prazeroso sentar em uma mesa de bar, com os pés descalços na areia da praia, tendo o mar – o infindável mar - diante dos olhos. Hoje ele está calmo, mas nem sempre é assim. Algumas vezes suas águas ficam arrepiadas, onduladas pelo vento nordeste que avizinha-se para mostrar que também demarca o seu espaço.
Para beliscar, peço quase sempre um pastel de camarão com palmito e, para matar a sede, uma água tônica com gelo e limão. Tudo simples, assim como o lugar, assim como gosto de ser.
Nesta curva faço uma das coisas que mais gosto: ler um bom livro e viajar com ele – e como viajo!
Neste pequeno braço de mar a natureza explode em todo o seu esplendor e, na simplicidade, toda a sua complexidade. Ambigüidade a ser estudada!
Texto: Roberto Passos do Amaral Pereira
Imagem: arquivo pessoal
Neste final de semana inspirado pela leitura do livro " Biblioteca À Noite” de Alberto Manguel, revolvi arrumar a minha estante. Em seu livro, Manguel descreve as várias formas técnicas e algumas afetuosas, para se catalogar uma biblioteca. É um livro interessante, já que também revela algumas atrocidades cometidas em várias bibliotecas ao longo do tempo.
Meus livros estavam realmente muito desarrumados. Comecei ajeitando de cima para baixo. No alto, coloquei todos os livros que eu ganhei e já li, e que guardarei para sempre como lembranças de amigos.
A seguir coloquei os livros que eu li há menos tempo, seguindo assim essa ordem. Finalmente, na parte mais baixa da estante, bem ao alcance de minhas mãos, estão os livros que eu já li ; e que me marcaram muito- quase sempre os releio.
Também tenho alguns livros no armário (livros aguardando leitura) que ficam ao lado da minha cama. Em cima do meu criado- mudo (coisa mais antiga, não?) ficam o livro “ 1001 livros para ler antes de morrer”, e os dois volumes de “As Mil e Uma Noites”. Sempre leio um ou o outro antes de pegar no sono. Deixo também ali, um livro com maior possibilidade de ser a próxima leitura.
O livro que estou lendo carrego sempre na minha pasta de trabalho. Leio quando tenho oportunidade, principalmente quando estou na praia da Curva da Jurema, após o trabalho. A verdade é que eu não escolho o livro que leio. Ele é que me escolhe. É algo mágico e sedutor.
Os livros são a minha extensão. Algo que se acopla, pluga. Um mar de palavras e sentimentos que banham meu ser.
Texto: Roberto Passos do Amaral Pereira
Imagem: arquivo pessoal